Estudantes e trabalhadores unificam luta e marcham contra Tarcísio

Ato unificado em São Paulo

No dia 20 de maio de 2026, estudantes, professores e trabalhadores das universidades estaduais de São Paulo se reuniram em um ato unificado na capital paulista, especificamente no Largo da Batata. A manifestação teve como objetivo protestar contra as políticas implementadas pelo governo de Tarcísio de Freitas, que é do partido Republicanos. A mobilização estava prevista para dar início às 14h e seguir em marcha até o Palácio dos Bandeirantes, que abriga a sede do governo estadual.

Contexto da mobilização

A mobilização que culminou nesse ato unificado começou em abril na Universidade de São Paulo (USP) e, a partir de então, se espalhou para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Desde o início dessa movimentação, mais de duzentos cursos foram impactados pelas paralisações, com uma adesão aproximada de 30% tanto na Unicamp quanto na Unesp, além de uma participação forte na USP. Essa mobilização é parte das atividades organizadas pelo Fórum das Seis, que representa as entidades que atuam em conjunto nas três instituições de ensino.

Caminhada até o Palácio dos Bandeirantes

A caminhada programada até o Palácio dos Bandeirantes é vista como um ato de grande relevância para o movimento. Os participantes do ato afirmaram que essa marcha representa não apenas um protesto, mas também um chamado pela valorização das universidades públicas. Eles querem que suas vozes sejam ouvidas diretamente pelos responsáveis pela gestão pública do estado de São Paulo.

Pautas centrais do protesto

As reivindicações centrais do protesto incluem:

  • Aumento do Orçamento: Uma demanda importante é a ampliação do orçamento das universidades públicas, essencial para a manutenção da qualidade do ensino.
  • Políticas de Permanência Estudantil: Os manifestantes reivindicam garantias de políticas de permanência estudantil, que incluem oferecer bolsas, moradia e refeitórios aos estudantes.
  • Combate ao Sucateamento: Há um forte apelo para o combate ao sucateamento do ensino e à oposição a iniciativas de privatização de serviços essenciais, como transporte e água.
  • Repressão Policial: O movimento se posiciona contra a repressão policial observada em recentes manifestações, destacando a necessidade de um ambiente de protesto pacífico.

Articulação entre universidades

A articulação entre as diferentes universidades do estado tem sido um aspecto vital do crescimento do movimento. A expectativa é que o ato unificado transforme a greve das universidades em um desfile político significativo em oposição à administração estadual. A adesão formal dos docentes da Unicamp, que aprovaram a greve e decidiram participar da marcha, reforçou ainda mais a organização do evento. Além disso, a Associação dos Docentes da USP (Adusp) e o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) também optaram por entrar em greve e parar suas atividades no dia 20 de maio.

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Apoio das centrais sindicais

Centrais sindicais, incluindo a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), assim como a CSP-Conlutas, manifestaram apoio à mobilização. Essa união de forças amplia significativamente o escopo do protesto, levando os problemas discutidos para além do ambiente acadêmico e conectando-os a uma luta mais ampla por direitos e justiça social.

Expectativa de grande adesão

Os organizadores do ato esperam que milhares de pessoas se mobilizem nas ruas de São Paulo. A União Nacional dos Estudantes (UNE) reforçou essa expectativa em suas comunicações oficiais, enfatizando a importância da unificação dos esforços nas ruas. Em uma convocatória, a entidade expressou: “Estamos reunindo o comando do ato com um propósito claro: queremos as ruas de São Paulo paradas! Exigimos mais recursos para as universidades estaduais e a saída de Tarcísio! Respeite os estudantes!”

Repressão policial nas manifestações

Durante manifestações anteriores, o movimento enfrentou episódios de repressão policial, com o uso de gás de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar a multidão. As forças de segurança tentaram justificar esses atos como uma resposta a “brigas generalizadas”, no entanto, esses comportamentos foram amplamente condenados pelas entidades estudantis e sindicais. Esses incidentes colocaram em evidência o autoritarismo que permeia a abordagem governamental às manifestações populares.

Desafios enfrentados pelos grevistas

Os grevistas enfrentam diversos desafios ao longo do movimento. Entre as principais dificuldades estão as tentativas de deslegitimar suas reivindicações e a resistência por parte das administrações das universidades, que muitas vezes não reconhecem a magnitude da crise enfrentada pelas instituições de ensino público. Além disso, a opressão policial, mencionada anteriormente, contribui para um ambiente de tensão e incerteza durante os atos. A falta de diálogo aberto e construtivo com as administrações também é um obstáculo para a resolução pacífica do conflito.

Posições das reitorias das universidades

Quanto às reitorias das universidades, o Conselho Reitoral das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e a reitoria da USP não se manifestaram publicamente em relação ao ato. A reitoria da USP tem enfrentado tensões com os grevistas, especialmente após encerrar unilateralmente as negociações e convocar a Polícia Militar para desocupar o prédio da reitoria no início de maio. Essa ação resultou em denúncias de uso excessivo de força por parte das autoridades. Como resposta ao impasse, a reitoria instaurou uma comissão interna com o objetivo de abordar a crise em andamento, embora muitos vejam isso como uma tentativa de silenciar as vozes dissonantes, ao invés de um esforço real de diálogo.