Metrô fora da Faria Lima é como atender a Paulista pela Alameda Franca, diz associação dos Jardins

A Decisão do Traçado do Metrô

O projeto do Metrô na grande São Paulo, especificamente a Linha 20-Rosa, tem gerado ampla discussão entre os moradores e a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô SP). A decisão de descartar a construção de três estações na Avenida Brigadeiro Faria Lima para seguir um novo percurso pelo interior dos bairros dos Jardins e Pinheiros foi motivada por razões de custo e viabilidade técnica. A primeira versão do traçado, que incluía as estações na Faria Lima, estaria sujeita a um custo adicional estimado em R$ 1,2 bilhões, além de um aumento no prazo de construção de dois anos.

O novo traçado, que deve ligar cidades como Santo André e São Bernardo do Campo à Santa Marina, está em fase de desenvolvimento e promete ser licitado até 2027, com a previsão de início da construção para 2028 e conclusão até 2033. O custo previsto para o traçado reduzido é de R$ 24,9 bilhões, enquanto a proposta inicial estava orçada em R$ 26,1 bilhões.

Protestos dos Moradores

As associações de moradores dos bairros afetados por esta nova linha, em especial a AME Jardins, têm se mobilizado ativamente contra essa decisão. Os moradores argumentam que a mudança no traçado compromete a acessibilidade e a eficiência do sistema de transporte ao desviar as estações do centro comercial e financeiro que a Faria Lima representa. Para eles, o novo percurso é comparado à criação de um metrô que atende a Avenida Paulista, mas com as estações efetivamente localizadas na Alameda Franca, que não possui a mesma densidade de serviços e movimentação.

metrô fora da Faria Lima

Como parte da sua mobilização, a AME Jardins contratou o ex-presidente do Metrô, Sergio Avelleda, para desenvolver um estudo detalhado que mostra as vantagens do percurso proposto anteriormente, que incluía maior acesso a áreas com alta concentração de empregos e usuários. O posicionamento da AME se concentra na ideia de que as estações na Faria Lima resultariam em uma maior demanda de passageiros, aproveitando melhor a infraestrutura existente.

Impactos da Nova Linha sobre a Comunidade

A alteração no trajeto é vista por muitos como uma mudança que pode afetar negativamente a dinâmica dos bairros, especialmente em termos de acessibilidade. A AME argumenta que a nova linha, ao evitar as estações ao longo da Avenida, promove um percurso menos eficiente e que poderá levar a uma queda na utilização do metrô por parte dos cidadãos. O aumento do custo de implantação e a dificuldade técnica em relação a novos traçados se destacam como pontos a serem considerados nas discussões sobre a eficiência do transporte metropolitano.

Custos e Viabilidade do Projeto

Os custos do projeto foram um ponto central na justificativa do Metrô para a decisão tomada. Segundo o Metrô, as questões orçamentárias associados a um traçado que inclui estações na Faria Lima levariam aos custos adicionais mencionados anteriormente, comprometendo a viabilidade do projeto. O que muitos contestam é a transparência sobre esses custos e a relação direta que eles têm com a demanda por transporte na região.

A companhia também afirma que as mudanças no projeto levarão a um custo total mais baixo, considerando a estimativa de demanda que não teria um impacto significativo no número de passageiros. No entanto, os números apresentados pela AME e outros grupos contrários ao projeto indicam que o impacto no fluxo de passageiros pode ser mais profundo do que o esperado.

Análise da Demanda de Passageiros

Os dados revelam que, com as mudanças, a previsão de passageiros diariamente nas novas estações, que se espera que movimentem 1,266 milhão de usuários, pode ser uma subavaliação. Com as estações na Faria Lima, a estimativa inicial apontava para 1,291 milhões de passageiros por dia. Essa diferença é sintomática do que pode ser um desperdício de potencial de mobilidade urbana.

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A pesquisa realizada pela AME sugere que mais trabalhadores e estudantes seriam beneficiados com a instalação das estações originais. O estudo defende que o trajeto preliminar atenderia 16.292 trabalhadores e 446 estudantes a mais do que o traçado atual, levantando questões sobre a capacidade do novo traçado em atender à demanda real da população que utiliza transporte público diariamente.

Justificativas do Metrô para a Alteração

Em defesa da decisão de mudar o traçado, o Metrô pontua que a viabilidade técnica foi um dos fatores mais relevantes. Eles destacam que vários aspectos foram considerados, incluindo a infraestruturaatk de construção, a interação com a rede de transportes existente, riscos geológicos, impactos ambientais, a operação do sistema e os custos de desapropriações.

A companhia ainda salienta que foram feitos estudos amplos sobre a integração das novas estações com a linha existente e que houve consultorias que confirmaram a viabilidade do novo percurso. Além disso, argumentam que as novas estações poderiam ser benéficas para a população de Pinheiros e Jardins, mesmo que não estejam diretamente localizadas nas áreas de maior fluxo.

Sugestões de Traçados Alternativos

Frente aos protestos dos moradores e debates internos, surgem sugestões e propostas para alternativas que poderiam ser consideradas. Algumas delas incluem a reavaliação do traçado original para incluir a Avenida Faria Lima sem comprometer a construção do novo trajeto. Isso demandaria um novo estudo que considere a combinação da eficiência entre as linhas alternativas e o impacto no fluxo de passageiros.

A AME acreditava que a realização de audiências públicas e consulta popular mais abrangente poderia facilitar a chegada a um consenso sobre o traçado final. Com uma comunidade mais envolvida, as soluções encontradas poderiam beneficiar a todos os envolvidos, equilibrando a necessidade de transporte com o impacto nas comunidades afetadas.

Reuniões da AME Jardins

Reuniões regulares têm sido organizadas pela AME Jardins como uma forma de reunir os afetados e discutir os próximos passos em relação à nova linha do metrô. O objetivo é garantir que os interesses da população sejam ouvidos e considerados devidamente. O aspecto democrático da discussão sobre o metrô é enfatizado, sugerindo que as decisões de infraestrutura devem envolver os cidadãos diretamente afetados.

Expectativas para o Futuro do Metrô

Os debates em torno da nova linha do metrô e suas implicações estão apenas começando. As mobilizações dos moradores e ações legais, como o contato com o Ministério Público de São Paulo, marcam a disputa pelos transportes públicos na cidade. A realização de audiências públicas e discussão sobre os impactos comunitários ainda são questões críticas no processo de finalização do projeto.

O Papel dos Moradores na Discussão

A participação da comunidade é essencial neste processo. Os moradores têm um papel de destaque ao exigir mais informações sobre o projeto, a construção e seus impactos. A importância do transporte público na melhoria da qualidade de vida não pode ser subestimada, e assegurar que as vozes dos cidadãos sejam incluídas nas decisões é vital para a construção de uma cidade mais acessível e justa.

Concluindo, a situação em torno da Linha 20-Rosa exemplifica bem como o planejamento urbano, as necessidades das comunidades e a eficiência do transporte público se cruzam, exigindo um diálogo contínuo entre todas as partes interessadas. A mobilização dos moradores pode influenciar o resultado final e garantir que os interesses de todos sejam atendidos.